Artigo

SOBRE O RESGATE DA ELEGÂNCIA NAS RELAÇÕES

SOBRE O RESGATE DA ELEGÂNCIA NAS RELAÇÕES

23 de outubro de 2018
José Donizetti dos Santos

SOBRE O RESGATE DA ELEGÂNCIA NAS RELAÇÕES

Parece-me que o termo elegância está um tanto em desuso nos variados contextos da sociedade e, aqui, quero destacar para a importância de resgatar o valor do referido termo, nos diversos contextos em que vivemos.

Muita gente parece considerar que ser elegante está relacionado, simplesmente, ao vestuário ou à aparência. Creio que todos nós conhecemos pessoas que se apresentam impecavelmente vestidas e, no entanto, comportam-se de forma minimamente elegante. Algumas vezes, como se diz na linguagem popular, comportam-se com uma enorme "falta de educação".

A verdadeira elegância mostra-se, cotidianamente, em pessoas que desenvolvem a arte de escutar seu interlocutor e, ao falar, o fazem de modo suave e respeitoso. Mostra-se naquelas que cultivam hábitos saudáveis em suas relações, tais como saber agradecer e apresentar-se com otimismo e compaixão - no sentido do cuidado e preocupação com os sentimentos e sofrimentos dos outros.

Elegantes são pessoas empáticas, capazes de colocar-se no lugar e na situação dos outros, buscando compreender o que e como eles estão vivendo. Pessoas empáticas esforçam-se para se livrar de ideias preconcebidas e julgamentos a respeito dos outros, desenvolvendo mente de principiante - mente que está disposta e aberta para ver tudo e todas as pessoas com quem nos relacionamos como se fosse a primeira vez - sem julgamentos. Ver as coisas e pessoas como são de verdade, sem passar pela distorção de nossas lentes e planos, segundo conceitos de Jon Kabat-Zin. Apesar de todas as semelhanças, segundo o austríaco Martin Buber, cada situação da vida tem, tal como uma criança recém-nascida, um novo rosto, que nunca foi visto antes e nunca será visto novamente.

A verdadeira elegância transcende, conforme já mencionei antes, aparências efêmeras. Ela nasce e cresce se cuidada na alma e expressada nos gestos, nas palavras e nas posturas assumidas frente a si e às pessoas com quem se relaciona. Tenho visto filhos tratando os pais como se fossem "ninguém". Tenho ouvido pais referirem-se aos filhos com tremenda descrença em seu potencial. Professores desconectados de sua verdadeira missão de educar, acomodados na "arte" de transmitir conteúdos "enferrujados" pelo tempo e sem nenhuma relação com o dia-a-dia dos estudantes. Estudantes acomodados, preguiçosos e dependentes de jogos eletrônicos e redes sociais, imaturos que são quanto ao uso de tais meios.

Torna-se urgente resgatar o sentido e o valor das práticas de comportamentos e atitudes elegantes em nosso cotidiano, já que pessoas elegantes possuem a alma inquieta e não se conformam com a mediocridade, estando sempre em busca de algo mais que possa aperfeiçoar sua performance como seres humanos.

Isso significa melhorar a si mesmo nas diversas dimensões de sua humanidade: intelectual, física, mental e espiritual. É o Cuidado de si. Mas não só! Pessoas elegantes sentem-se comprometidas com a melhora da performance das pessoas com quem convivem diariamente. É o Cuidado com o outro. Mas, não só! Pessoas elegantes desenvolvem espírito de solidariedade, convictas de que somos todos filhas e filhos do mesmo Pai e, por isso, irmãos na fraternidade humana do mundo, fazendo-nos "crer numa humanidade que trata humanamente seus semelhantes, como disse Leonardo Boff. É o Cuidado no mundo!

Acredito que o resgate do valor de práticas elegantes nas relações interpessoais e nas relações em geral é um dos maiores desafios tanto para a educação realizada no âmbito familiar, como, principalmente, no âmbito escolar, em todos os segmentos de ensino! Desafio que urge ser assumido pelos responsáveis pela educação, os pais e nós, educadoras e educadores!

 

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