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Masturbação Infantil. É normal?

Masturbação Infantil. É normal?

23 de outubro de 2018

Masturbação Infantil. É normal?

A dificuldade do adulto em lidar com a masturbação infantil ou atos de interesse nos próprios genitais ou nos das outras crianças está marcada pela carga cultural que envolve a sexualidade.

Enquanto o adulto liga o prazer proporcionado pela masturbação ou pelo sexo a algo voltado à necessidade física, para a criança, é apenas uma (de várias) experiência sensorial. Ao explorar o corpo, ela descobriu que é gostoso, e vai repetir pela experiência ter sido prazerosa, quase como comer um pedaço de chocolate.

No passado, Freud revelou suas descobertas sobre a sexualidade infantil e quebrou paradigmas sobre a pureza das crianças. Para o psicanalista, a sexualidade dos pequenos se divide em cinco fases e tem suas próprias características:

Fase oral (de 0 a 1 ano): a boca é a região de prazer, por isso, a criança leva tudo que consegue pegar à boca;

Fase anal (de 2 a 4 anos): o ânus é a área de maior satisfação, a criança descobre que pode controlar as fezes;

Fase fálica (de 4 a 6 anos): nesse estágio, a criança volta sua atenção para o genital e começa a examiná-lo e estimulá-lo por gostar da sensação causada pelo estímulo

Fase de latência (de 6 a 11 anos): a criança concentra sua energia em atividades sociais;

Fase genital (a partir dos 11 anos): resgate dos impulsos sexuais, ruptura com a identidade infantil.

Por ser algo que faz parte do desenvolvimento de todo ser humano, descobrir o próprio corpo é algo natural e que não deve ser encarado com vergonha ou preconceito. Repreender a criança, recorrer à violência, ou inventar mentiras sobre as consequências daquele ato só irá desencadear traumas e conflitos que irão impactar de forma prejudicial no futuro. O conhecimento sobre a sexualidade é fundamental para o bom desenvolvimento infantil e que se estenderá até a vida adulta.

A masturbação infantil é um comportamento normal, mas devemos ter o cuidado de explicar que ela faz parte da intimidade e que não deve ser algo a se fazer de forma exposta, e sim sozinho, além de orientar que nenhuma outra pessoa pode tocar seu corpinho. Também é importante falar que não se deve mexer nas partes íntimas com as mãos sujas, nem introduzir objetos que possam machucar a região.

O que devemos observar é a intensidade e a frequência com que ocorre, pois tudo que é demais não é saudável. A masturbação pode ocorrer com mais frequência nas crianças quando elas estão mais ansiosas, tristes, sonolentas ou tensas, por proporcionar, além de prazer, um alívio das tensões, mas também é válido chamar a atenção delas, sem briga, para outro brinquedo ou brincadeira, fazendo com que elas se distraiam.

A masturbação só se torna um problema quando a criança se isola muito, não quer fazer outra coisa ou sofre de baixa autoestima. Nesses casos, pode haver um conflito emocional mais grave que indica sinal de alerta, e pode ser necessário recorrer à ajuda de um especialista.

Embora o assunto seja delicado, não se preocupe se você se deparar com seu filho ou filha se masturbando. Lembre-se que todas as crianças precisam se conhecer e se explorar em diferentes âmbitos. Basta ter paciência e entender que se trata de algo natural para encarar o assunto com tranquilidade, e orientar os pequenos sobre sua individualidade com carinho para que o assunto deixe de ser um tabu.

 

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