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Como criar um filho irresponsável

Como criar um filho irresponsável

23 de outubro de 2018

Como criar um filho irresponsável

Quando o assunto se refere a criação que os pais dão para seus filhos, as coisas podem ser bem delicadas. Quando se cria mal, de forma que a criança passa por algumas necessidades ou é negligenciada a ponto de se sentir inferiorizada e sem valor, ela terá problemas quando chegar na fase adulta devido ao trauma que passou durante o momento em que deveria ter apoio. Mas, por outro lado, quando a criança é criada de forma que suas necessidades e seus caprichos são prontamente atendidos, ela pode crescer acreditando que todos devem atendê-la sempre que quiser, se tornando uma pessoa mimada, egoísta e dependente dos outros em todos os âmbitos da vida.

De forma geral, podemos dizer que uma pessoa é responsável quando é capaz de tomar decisões eficientes por si próprio e com plena noção das consequências de seus atos e escolhas.

É importante salientar que ser responsável não é o mesmo que ser obediente ou dócil. Algumas crianças aparentam ser responsáveis e normalmente fazem o que lhes é dito, entretanto, na falta de vigilância de pais, responsáveis ou educadores, mudam rapidamente de comportamento. Nestes casos, fica bem evidente que a criança é motivada a agir de acordo com suas conveniências, com a ideia de conseguir um prêmio ou evitar um castigo. Sendo assim, ser responsável implica que a criança seja capaz de valorizar a situação na qual se encontra tendo em conta tanto suas próprias necessidades e desejos como as exigências de seus pais e professores, e que também seja capaz de tomar uma decisão por conta própria e agir corretamente.

Para que isto ocorra, é importante proporcionar à criança um ambiente no qual lhe é oferecida opções para que possa escolher, lhe mostrar as consequências dessa escolha, assim como ensinar e proporcionar todos os recursos necessários para que ela escolha bem.

Sendo assim, não há responsabilidade sem que haja liberdade. Os pais não devem limitar-se a dizer a seus filhos o que têm que fazer, mas ajudar-lhes a tomar suas próprias decisões colocando-lhes frente a suas responsabilidades.

Se a criança quer um brinquedo, um passeio, ou qualquer coisa que possa ser considerada um prêmio, antes de mais nada, deve fazer por merecer. Apenas ser filho, neto ou sobrinho não é motivo suficiente. Aquele argumento frequente dos pais de que "meu filho vai ter o que eu não tive não é válido nesse caso e nem reforça o conceito de despertar responsabilidade nos pequenos. Para ter, deve-se antes merecer.

Ao fazer esse tipo de ação, de satisfazer os desejos dos filhos sem que haja mérito para tal, os pequenos aprendem que eles, de uma forma ou de outra, não precisar fazer nada para conseguir o que querem. Assim, ao crescerem, podem acreditar que o mundo terá obrigação de servi-los, ou se sentirem no direito de terem seus desejos sempre satisfeitos pelos outros, gerando para si uma série de relacionamentos dependentes, conflituosos e cheios de jogo de interesses, do contrário ficarão frustrados ou até violentos por terem sido contrariados, ou por simplesmente não saberem lidar com o não.

Por mais que doa no coração, a aprendizagem necessita de um componente de esforço pessoal aliado a um "sofrimento produtivo", que é aquele que envolve a dedicação, a disciplina, a tolerância à frustração e por que não dizer a dor? Pessoas das quais não são cobradas responsabilidades jamais serão responsáveis.

Quer saber se você está tomando decisões que farão seu filho ser irresponsável? Confira abaixo algumas atitudes que podem estragar o futuro da criança:

- Dê tudo o que seu filho quiser, quando quiser;

- Quando ele disser nomes feios, ache graça;

- Apanhe tudo o que ele deixar jogado (roupas, livros, comida), arrume todas as bagunças que ele fizer;

- Dê todo dinheiro que ele quiser, nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro a fim de evitar que ele aprenda a dar valor ao trabalho;

- Satisfaça todos os seus desejos supérfluos de comida, bebida e conforto;

- Tome o partido dele contra os vizinhos, professores mesmo quando ele estiver errado;

- Não o oriente com relação as amizades ou relacionamentos, mesmo que parecem ser pessoas ruins ou oportunistas;

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