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Bullying: Os motivos vêm de fora,os recursos vêm de dentro

Bullying: Os motivos vêm de fora,os recursos vêm de dentro

23 de outubro de 2018
Cida Lopes

Bullying: Os motivos vêm de fora,os recursos vêm de dentro

O começo do ano letivo para os pais , filhos e educadores é sempre uma época de  sonhos, planos e também preocupações.

Pensando no bullying, uma provocação:

Somente as ofensas originadas dos  colegas de escola são consideradas como bullying ou vale também para as provocações vindas dos irmãos, pais, parentes e amigos? Temos a mesma indignação quando o bullying acontece dentro das nossas casas? Tomamos as atitudes que cobramos que a escola tome?

 Bullying nas escolas, problemas da escola?

 Seria  o Bullying nas escolas, problema somente da escola? Certamente não, mas o que se vê frequentemente a cada reportagem é o ato de educar ser delegado à escola. Como consequência, a família é poupada da sua responsabilidade.

 É de senso comum que essa prática é aprendida. Quase sempre se retrata na rua o que é vivenciado em casa. Maus tratos, falta de limites, de valores como respeito, solidariedade, necessidade de subjugar o outro para se valorizar, convivência diária em  ambiente de  intolerância  às diversidades, ao diferente.

 A família sempre será a referência para os filhos.

A família é permanente, a escola é "passageira, transitória".  Escolas podem ser inúmeras; a família é única.

 A minha preocupação é:

Da   forma  como   estamos  defendendo  as  vítimas  do   bullying  nas   escolas,   não

estamos também  reforçando ainda mais a vulnerabilidade delas?

Por mais que, como pais, desejemos proteger nossos filhos, todos nós estamos no mundo, rodeados por pessoas e situações. Então, já que estamos expostos a todos os motivos daí de fora, o melhor é ter recursos dentro de nós, para podermos resolver nossos problemas de um jeito melhor para nós mesmos e também para os outros.
Acredito que, além de focarmos na reeducação dos agressores, devemos principalmente fortalecer as habilidades dos agredidos, para que possam desenvolver recursos próprios de resolução de seus problemas de forma mais eficaz.

Pare e pense

 As "brincadeiras de mau gosto", atualmente batizadas de bullying, sempre existiram. Qualquer "diferença" entre os garotos e garotas quase sempre foi motivo de provocação: usar óculos, ser gordinha ou ser muito magrinha, ser muito alto ou ser baixinho, não ter tanto dinheiro ou dinheiro nenhum, uma menina ser menos cor de rosa ou um menino menos azul e tantas outras coisas, coisinhas e "coisonas".

O porquê de essas diferenças" fazerem tanta diferença para as pessoas merece, sim, ser questionado.

O outro lado da história: 

Por que meninos e meninas com "diferenças semelhantes"  reagem de forma  distinta diante de uma mesma "brincadeira de mau gosto", quando provocados?

O que faz um garoto, que é baixinho, achar graça quando os meninos implicam com ele, e o outro menino, também baixinho, brigar com todos eles?

Por que as pessoas reagem de forma diferente diante de uma mesma situação?

Não estaria aí o ponto central que deveríamos atuar?

Precisamos avaliar o quanto estamos sendo vulneráveis para delegarmos aos outros o poder de determinarem o nosso próprio valor. Afinal, viramos heróis, quando somos elogiados e nos tornamos insignificantes, quando somos criticados.

Assim como existem alguns perfis de agressores, também existem perfis de vítimas, que são caracterizadas pela insegurança, timidez e passividade. Alvos perfeitos para o bullying, independentemente do lugar que estejam, escolas, praças, clubes, residências, etc.

Uma coisa é certa!

Vivemos hoje, em tempos de conflitos éticos. Mais do que nunca, como pais e educadores, temos o compromisso de ser para as novas gerações, exemplo vivo de referência e defesa dos valores humanos.

A hora não é de procurar culpados e, sim, soluções. Este momento é de urgência! Precisamos unir nossas forças, família e escola, falando a mesma língua num ato de cuidado aos nossos filhos e alunos.

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