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A dor de uma criança que ficou órfã. Como os familiares e amigos devem ajudar?

A dor de uma criança que ficou órfã. Como os familiares e amigos devem ajudar?

15 de abril de 2019

Muitos adultos acreditam que a criança não entende nada sobre a morte e, por isso, não precisa saber nenhum detalhe quando alguém bem próxima a ela vem a falecer. Entretanto, é provável que esta mesma criança já tenha perdido algum bicho de estimação ou assista alguma cena de morte na televisão.

Quando a criança perde uma pessoa querida de sua família como pai, mãe, irmão ou irmã, avós, ela fica triste e confusa. Os sentimentos que acompanham a morte são intensos e multifacetados, afetando emoções, corpos e vidas por um longo período de tempo. E quando esta mesma morte é sofrida por seus familiares, que em luto, estão sem condições de manter a intensidade de cuidado e atenção que antes dirigiam a ela, é importante que o momento de crise passe para que essa criança volte a ter a devida atenção para se sentir segura.

A morte de alguém essencial para a segurança da criança pode desencadear as mais diversas reações ou mudanças de comportamento, e além de uma conversa franca sobre o que aconteceu é fundamental para que a criança se sinta amparada. A criança deve ficar à vontade para exprimir os seus sentimentos pois é a forma dela lidar com a situação. Não devemos obrigá-la a ir ao enterro ou velório caso ela esteja assustada. Existem outros meios de se fazer uma despedida através de fotos ou lembranças que não causa maiores traumas. Caso ela manifeste desejo de participar do velório ou enterro, informe-a sobre o que verá, explique a razão de estarem ali, deixando-a livre para perguntar e para ficar o tempo que desejar. E independente da intensidade da reação frente a essa triste notícia, os familiares podem - e devem - ajudar a criança a lidar com essa perda.

Acolher a criança;

Não deixá-la sozinha, pois é importante que ela saiba que tem um adulto atento ao seu sofrimento, mas ela não deve ser forçada a ser abraçada, falar ou participar de atividades;

Mais do que dizer algo para consolá-la, deixar a criança expressar suas emoções e só ouvir;

Responder às perguntas da criança, sem eufemismos como foi viajar, está dormindo, foi para o céu;

Se a criança estiver agressiva, deixe claro que todos entendem e respeitam sua dor, mas que isso não lhe dá o direito de agir com violência e descontar nos colegas;

Explique o que é o cemitério, velório, dia de Finados;

Organize um ritual de homenagem com a participação de todos, pode ser uma cerimônia simples, como plantar uma árvore, para se lembrar da pessoa, um desenho coletivo ou individual;

Se a criança frequenta a escola, tenha uma conversa com a professora para expor a situação e para que ela oriente os coleguinhas a lhe darem apoio;

Sugira para a criança levar fotos para a escola para diminuir o desconforto da ausência;

Incentive-os a falar da tristeza e da raiva que surgem pela perda e o que cada um sentiu quando alguém morreu;

Nunca reprima ou tente conter o choro, pois as emoções fazem parte da vida e precisam ser expressadas.

As questões de enlutamento, à medida que afetam o comportamento da criança, mudando o curso de seu desenvolvimento devem ser avaliadas com extremo cuidado, para que possa ser delineada a intervenção necessária. Se a elaboração do luto não for feita adequadamente, poderá causar sérios comprometimentos a curto e a longo prazo.

A conclusão de uma conversa franca com uma criança, sobre a morte, sem medo, tem sempre um tom positivo. O fato de estar perto, falando a respeito e ouvindo, já ajuda muito. Todos os seres humanos aceitam a morte de uma forma singular. Devemos respeitar, no mínimo, a maneira que as crianças encontram para superar o momento da morte. Elas têm perguntas e buscam o conhecimento e, nós, adultos que muitas vezes acreditamos que sabemos muito, ouvimos delas as melhores respostas para as perguntas que não saberíamos responder.

 

 

 

 

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